terça-feira, 5 de junho de 2012

Sociologia da Religião

Daniella Rosa
Bacharelanda em Teologia do Instituto Evangélico de Educação e Cultura

Trabalho de sociologia da religião


Católicos: Secularização e Mudança na Igreja

O catolicismo vem sofrendo uma perda de fieis nas ultimas três décadas. Tais perdas atribuem-se ao surgimento de movimentos protestantes neopentecostais. Igrejas que, foram fundadas na década de 1980, nestes últimos anos vêm se fortalecendo cada dia mais. Com isso o catolicismo vem sofrendo mudanças para se adaptar a nova realidade.
 Pierucci chama o processo de desenvolvimento das ciências sociais no Brasil de “a sociologia do catolicismo em declínio”.
Durante trezentos anos o catolicismo era a religião oficial no Brasil, sendo a única aceita pelo Estado e descartava-se qualquer possibilidade de desenvolvimentos de outros credos.
No censo de 1970 os católicos declarados eram 92% da população. Nesse ano o Brasil tinha cerca de 70 milhões de habitantes. Estima-se que no inicio do século XIX quando foi proclamada a república 100% da população fosse católica, com o tempo essa porcentagem tende a diminuir cada vez.
Trinta anos depois a religião que até então era hegemônica, passa a perder adeptos. A que dominava já não está mais no controle. Mudanças na sociedade, surgimentos no mercado, um novo mundo se abrindo, um aumento do nível de escolaridade da população de um modo geral. O individuo passa o observar mais o que está a sua volta, tendo assim novas oportunidades de seguir por outros caminhos que não seja o catolicismo.
Sabe-se que desde a colonização, segundo estudos históricos e específicos sobre a religião no Brasil, diz-se que o catolicismo trazido pelos portugueses forjou uma religião “popular”, muito distante do catolicismo europeu e romano. Aqui o catolicismo misturou-se à elementos religiosos indígenas, aos rituais africanos, à simbologia e à doutrina católica, associaram-se à escassez do clero, à ausência de uma catequese e educação religiosa. Tudo isso contribuiu para um “catolicismo tropical ou popular”. A hegemonia começa então a ser quebrada, o monopólio já não existente abre caminhos para outras formas de culto.
Entende-se que hoje o Catolicismo não é mais a religião hegemônica, no entanto continua sendo dominante com o maior numero de seguidores. Visto que o Catolicismo tem se adaptado nestes últimos anos para recuperar seus fiéis que de alguma forma pararam de segui-los.
Como citado anteriormente quando chegado ao Brasil o Catolicismo acabou se adaptando a cultura de certa forma, tendo influências de outras praticas religiosas da época.
A renovação carismática é uma resposta católica à concorrência do movimento pentecostal e da teologia da prosperidade na década de 90.
Observa-se hoje uma adaptação do catolicismo diante da sociedade. Formas de cultos diferentes, bem parecidas com pentecostalismo.
Entende-se que o catolicismo adaptou formas de cultos para que possa prevalecer diante das outras religiões. Observam-se nestes últimos anos, padres cantores, grandes realizações de grandes eventos e a mídia como divulgar seus cultos e eventos.
No entanto a relação igreja e modernidade ainda é um problema não resolvido, muitos assuntos ainda não são tolerados pelo catolicismo, tal resistência não abala ou diminui a influencia que a igreja católica tem sobre o mundo.
Conclui-se que mesmo diante da realidade desse declínio em relação ao número de fiéis, o catolicismo ainda é a religião que tem grande influência. Mesmo não sendo mais uma religião imposta pelo Estado, o catolicismo continua sendo a maior em números de féis no Brasil.


Protestantismo: As Estratégias do Crescimento na Sociedade

O protestantismo histórico no Brasil estava estabelecido quando instituída a proclamação do governo provisório da república em 15 de novembro de 1889. No entanto muitas mudanças ocorreram desde então. Hoje observa-se um distanciamento das igrejas históricas na sociedade, em contrapartida as igrejas pentecostais e neopentecostais têm um espaço maior na mídia. Essas igrejas têm investido de muitas formas no que chamamos de evangelização e tem ocupado um espaço muito grande nos meios de comunicação do Brasil.
A presença do protestantismo no Brasil iniciou antes de sua colonização. Porém historiadores a consideram tendo inicio no Brasil pré-independente, isto, é com a transferência de sede do Reino de Portugal para o Rio de Janeiro. Entretanto se recuarmos pode-se dividi-la em três categorias: protestantismo de invasão, protestantismo de imigração e protestantismo de conversão ou missão.
O protestantismo de invasão constitui-se no Brasil ainda colônia, embora sendo situações efêmeras, podem servir como referencial em sua historiografia. Nicolau Durand de Villegaigon (1510-1575) conseguiu o apoio do líder huguenote almirante de Coligny (1519-1572). E em 1555 o Brasil recebeu a visita dos protestantes, mas precisamente na colônia francesa, localizada no Rio de Janeiro. A efêmera colônia francesa no Rio de Janeiro não se caracterizou por nenhum projeto de implantação. Não se sabe exatamente quais eram as verdadeiras intenções dos protestantes. Os franceses depois de desentendimentos entre si foram expulso em 1567, doze anos após sua chegada e nenhuma estrutura religiosa foi implantada no território brasileiro.
Os reformados holandeses chegaram ao Brasil colônia em 1624, mas precisamente na Bahia e ao tomarem Olinda em 1630. Sua intenção de primeira também não era religião. Estavam na realidade com grandes interesses comerciais. No entanto estabeleceram o culto reformado no nordeste, com sua estrutura eclesiástica formal. Entretanto deixaram algumas benfeitorias como uma significativa herança religiosa reformada entre os indígenas. Testemunhou este fato o padre Antonio Vieira ao dizer que os holandeses deixaram ali o espírito de “uma verdadeira Genebra de todos os sertões”.
Também eram extremamente tolerantes com os católicos durante o período em que estiveram à frente da colônia João Mauricio de Nassau.  No entanto o esforço dos predicantes (pastores) não deixa de ser significativo o que registra Eduardo Hoornaert, pois eles deixaram profundas noções calvinistas na mente dos índios nordestinos. Hoornaert também não indica de onde provêm essas afirmações.
Arquivos holandeses mostram que o trabalho feito pelos missionários holandeses trouxe resultados surpreendentes, pois, os índios Domingos Fernandes Carapeba, Pedro Poti e Antonio Paraupaba sofreram conseqüências por proferirem a fé dos holandeses.
Depois desses dois fatos ouvi-se falar de protestantismo somente em 1820. Quando em 1810 é fechado um tratado de Aliança e Amizade e de Comércio e Navegação, firmado com a Inglaterra portas se abrem e o protestantismo entra. Em 1820 cultos protestantes na língua inglesa eram celebrados no Rio de Janeiro, no entanto os súditos S. M. britânica não podiam fazer proselitismo. Observa-se que tudo gira em torno de interesses financeiros e o que ambas as partes vão lucrar.
A partir de 1824 colonos alemães e suíços chegam ao Brasil e começam a se espalhar pelas províncias. Os imigrantes eram luteranos e reformados, mas organizaram igrejas sob identidade luterana e sobreviveram até 1886 com pastores improvisados e no mesmo ano começaram a receber pastores da Alemanha. A partir daí foram surgindo várias organizações luteranas em forma de sínodos que, reunidos numa Confederação Sinodal, já em 1950 deram origem à Igreja Evangélica Luterana do Brasil.
O protestantismo ganha força no século XIX devido à proclamação do governo provisório da Republica em 15 de novembro de 1889, quando houve a separação entre a Igreja e o Estado. As portas começaram a se expandir mais e o protestantismo vai ganhando “espaço” na sociedade.
Antes de o protestantismo ganhar este espaço na sociedade, o Brasil já havia recebido a visita de vários missionários que se esforçaram para implantá-lo no Brasil. No ano de 1836 o metodista Justin Spaulding chegou ao Rio de Janeiro onde permaneceu até 1841. O trabalho só foi retomado em 1876 com o missionário John James Ransom, que organizou a primeira igreja metodista no Rio de Janeiro em 1878.
Em 1859 chega o missionário presbiteriano, Ashbel G. Simonton (1833-1867). A primeira igreja presbiteriana foi organizada no Rio de Janeiro em 1862. Após a guerra de recessão dos Estados Unidos, americanos migraram para Campinas (SP) dando origem a uma segunda missão presbiteriana norte-americana a partir de 1870. Outra igreja que originou-se de missões norte-americanas do século XIX foi a Igreja Evangélica Fluminense fundada em 1858 pelo missionário autônomo escocês Robert Reid Kalley (1809-1888).
Os episcopais, originados da Igreja Protestante Episcopal, dos Estados Unidos, estabeleceram-se no Brasil em 1889, com os missionários James Watson Morris e Lucien Kinsolving e iniciaram seus cultos no ano seguinte no Rio Grande do Sul.
Sendo assim todas as tradições históricas da Reforma estavam presentes e organizadas no Brasil até o fim do Império. Quanto às autonomias; a Igreja Evangélica Fluminense, por sua natureza já era autônoma, os batistas proclamaram sua autonomia em 1925, os metodistas tornaram-se autônomos em 1930. Assim as igrejas do protestantismo histórico se estabeleceram.
Os protestantes trouxeram para o Brasil o Dia das Mães, as festas natalinas com o tradicional pinheiro, somente o dia de ação de graças que não tendo nenhuma base na cultura brasileira acabou sendo deixado de lado.
Observa-se hoje que as igrejas protestantes da linhagem histórica pouco contribuem na sociedade. Há não ser pelo seu patrimônio educacional, como os Colégios e os grandes centros universitários. Elas andam um pouco distante da sociedade e parece ter perdido o interesse pela expansão de sua fé. Nota-se que poucos protestantes da linhagem histórica têm envolvimento com a política ou com assuntos que envolvam a sociedade de uma forma geral. Observa-se que até em seus ensinos não assumem de fato suas identidades e não propagam sua verdadeira crença, temendo afugentar os alunos com leituras bíblicas.
Fato que não pode deixar de ser mencionado é que quando houve a separação da Igreja e o Estado tivemos a instituição do casamento civil, uma vitória alcançada pelo protestantismo.
Desde então o protestantismo vem se expandindo. Há mais de 30 anos atrás, Candido Procópio Ferreira de Camargo já declarava esta evidência em seu livro, Católicos, protestantes e espíritas, ressaltando os traços da multiplicidade e crescente complexidade do protestantismo. Entendendo essa perspectiva, declara então que dado ao seu caráter complexo, somente pode provocar o surgimento de visões paradoxais, estendendo-se aqui ao fenômeno como um todo, mas que André Droogers atribuiu ao pentecostalismo.
Camargo declara que modernização não significava necessariamente protesto. Ele considerava ser a secularização uma concepção coerente com o crescimento da população urbana, ao lado da modernização de uma sociedade tradicionalmente católica.
Observa-se que esta declaração pode caracterizar-se com a explosão do protestantismo e de outras religiões.
Entende-se que a população não conhecia outra forma de culto ou de adoração a não ser a que lhe era imposta pelo Estado, isto na época do Brasil Colônia. Décadas depois que o protestantismo foi ganhando um pouco de espaço na sociedade, abrindo assim novas possibilidades de culto e adoração.
Como classificar o protestantismo hoje no Brasil? Entende-se que ele em sua mutação com o decorrer dos anos vem ainda se transformando. Hoje temos as protestantes pentecostais e as protestantes neopentecostais espalhadas por todo Brasil.
Esse sincretismo tornou difícil a tarefa de interpretar o protestantismo no Brasil. Onde se encaixam as igrejas fundadas nos últimos 30 anos? Como defini-las nesse montante que se tornou o protestantismo.
Na década de 1970 a equipe de pesquisadores dirigidos por Camargo já se preocupavam em decifrar o crescimento complexo do protestantismo, hoje mais de 30 anos depois essa complexidade continua em evidência.
Pesquisas divulgadas no ano de 2000 mostraram um crescimento significativo do que foi apresentado por Camargo na década de 1970. Matérias divulgadas pela imprensa mostraram que o IBGE encontrou dificuldades, na hora da tabulação dos resultados, pois, esse censo apontou para o surgimento de mil e duzentas novas denominações religiosas no Brasil, em relação a 1991. Cientistas da religião chamam de “pulverização pentecostal”, o processo de dessacralização e de consequente perda do monopólio religioso por parte da Igreja Católica, uma realidade que somente se acentuou nos últimos 30 anos. O protestantismo teve aumentado a sua capacidade divisionária, multiplicando em muito o número de denominações, igrejas e seitas novas nas ultimas três décadas. No censo de 2000 a Igreja Universal do Reino de Deus atingiu a marca de dois milhões de seguidores.
Estima-se que o número de igrejas protestantes e o numero de seus seguidores tenha aumentado ainda mais desde então, visto que algumas dessas igrejas estão em evidência na mídia. Igrejas como Internacional da Graça de Deus que tem como presidente o Missionário R R Soares, está à frente de sete canais que podem ser vistos através da TV à cabo  “Nossa TV”, também distribuída pelo Grupo Graça, dois desses canais são conhecidos por serem transmitidos também em UHF, o canal RIT (rede internacional de televisão) e o CJC (canal da juventude cristã). A Rede Record que tem como presidente o Bispo Edir Macedo é considerada uma das maiores emissoras do Brasil, ficando atrás da Rede Globo e SBT. A Rede Record tem se expandido cada vez mais pelo Brasil e exterior. A igreja renascer também possui um canal que é transmitido em UHF.
O neopentecostalismo tem alavancado na mídia, entretanto  observa-se muitas vezes é que os que não são donos de seus próprios canais, acabam entrando em disputas por horários por horários na Tv. As disputas por  lugares onde possam está realizando grandes eventos também é vista com frequência, cita-se também as disputa em rádios consideradas gospel.
Entende-se que o que esteja em evidência seja a teologia da prosperidade, pois tem sido à base das pregações de algumas denominações. Tais ensinamentos são pregados com base na Bíblia Sagrada, e ditos claramente em programas transmitidos pela TV. Observa-se que o crescimento muitas vezes é tido através de ofensas e criticas, pois o outro (de outra denominação) é visto como um adversário.
Mesmo o crescimento sendo uma realidade clara, pois nota-se que as igrejas têm se espalhado pelo Brasil, a força dos protestantes ainda é pequena. Observa-se muitas vezes uma disputa por fiéis, pois diferentes denominações procuram abrir seus templos próximos de outras já existentes. Nota-se também que o número de evangélicos protestantes vem aumentando na política. Hoje existem centenas de vereadores, deputados (estaduais e federais) e mais recentemente o Bispo Marcelo Crivela que até então era Senador, agora é Ministro da pesca. Entende-se que o envolvimento possa trazer benefícios para o povo evangélico, mas nem sempre isso acontece, visto que os representantes buscam benefícios que favoreçam suas instituições religiosas. De modo geral a força do protestantismo na política ainda é pequena. Porém mesmo sendo pequena é significativa. Entende-se que uma conexão, uma união entre as instituições evangélicas traria força, se houvesse uma única voz que representasse o protestantismo poder-se-ia causar um impacto na sociedade. Mas, tal fato está muito distante de tornar-se realidade.   
Não se pode deixar de mencionar a confiança de que os eleitores depositam nos candidatos de suas denominações, pois muitos alcançam uma quantidade elevada de votos, no entanto os eleitores não causam um impacto na sociedade por pertencerem a grupos ou denominações diferentes.
Entende-se que o protestantismo, de uma maneira complexa, como declarou Camargo, tem avançado e ganhado cada vez mais espaço na mídia brasileira. Porém esse crescimento está longe de ter força suficiente para trazer mudanças que venham por sua vez impactar a sociedade. As mudanças que são observadas são individuais ou que atingem certo grupo de pessoas. Mas a sociedade como um todo ainda não sofre mudanças por cauda dele.
Conclui-se que tal complexidade, torna o protestantismo distante de sua verdadeira proposta, que seria protestar o que está sendo imposto que de alguma maneira possa esta fora dos padrões e da verdade mostrada por Cristo. Observa-se hoje um protestantismo individualista e porque não dizer materialista, proposto por algumas denominações. A famosa troca de favores, um ensinamento muitas vezes errôneo, diferente da verdadeira proposta de protestantismo. O crescimento é evidente, estima-se que tente a crescer mais, no entanto não o torna forte e potente.


Referencias Bibliográficas:

Souza, Beatriz Muniz e Martino, Luis Mauro Sociologia da Religião e Mudança Social






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