sexta-feira, 19 de agosto de 2011

A vida plena acima da mediocridade

Estudo cedido pelo estimado Prof. Dr. Nelson Célio de Mesquita Rocha

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A vida que se torna plena na história é a que foge de qualquer traço de mediocridade. Quem quer que tenha em vista essa plenitude tem de experimentar uma abertura de mente, a fim de perceber a realidade. Precisa exercitar a obediência como ação dinâmica para uma nova realidade. Uma obediência que seja caracterizada por uma vida de serviço, de engajamento, como estado natural do discipulado cristão, segundo ensina o Novo Testamento. E, a palavra neotestamentária tem como paradigma central a palavra de Jesus Cristo. Jesus Cristo é o Deus que se humanizou, ou seja, fazendo-se um dos membros da raça humana. E, deste modo, um discipulado que seja marcado por obediência possa se constituir uma efetividade da vida da pessoa humana, tornando-se uma vida plena, é profundamente necessária a experiência cúltica. O culto é expressão vital. É no culto que se reconhece a vontade do Criador, no momento em que há o envolvimento pela Palavra e pelos Sacramentos. Todas as pessoas são chamadas por Deus para terem essa experiência, sem a qual a vida torna-se desprovida de sentido.
Como se pode definir a mediocridade? Mediocridade é qualidade de medíocre; é a falta de mérito. Mediocrizar-se é não desejar a vida plena que sem fé se projeta no mundo, não demonstrando o verdadeiro sentido do que é em si a existência. A vida é dom concedido pelo Criador. E, uma pessoa medíocre, experimenta uma vida sem relevo, ordinária, vulgar e mediana. Não foi para isso que Deus deu a vida como dom.
Uma vida plena é uma vida de representatividade. O que significa ser um representante? Primeiro é preciso tomar consciência da excelência de Jesus Cristo. Ele representa Deus entre os homens e o homem diante de Deus. Desta forma é também cada um dos seus discípulos, ou dos seus apóstolos. É importante saber que representa e não substitui. Todos os cristãos são representantes de Cristo (2 Coríntios 5.18-20). A vida do discípulo é como a de seu Mestre (Mateus 10.24-25). O representante não ocupa o lugar do ausente, mas unicamente o faz por delegação.
Existem três ordens sobre a representatividade, que têm de ser sempre lembradas para quem deseja viver uma vida engajada na história, fugindo de toda e qualquer sorte de mediocridade:

A Primeira ordem: Supõe um tipo particular de presença
Não quer dizer uma presença alternativa, mas uma presença satisfeita em si mesma. Logo, a ausência é rigorosamente o seu contrário. É uma presença que remete a uma ausência no estado de presença. A representação não existe senão no ato de significar que um outro se faz representar. Porém, ninguém poderá se pôr no seu lugar. A própria presença está na representação. Ela impõe uma plenitude tal, que não pode significar um passado a evocar um futuro, mas que se satisfaz de forma positiva em ser para o que está adiante. Assim, se pode perceber uma instauração não-definitiva. Na representação a presença é oferta, dada aqui e agora, e portanto, ela se abre para um futuro que retoma seu discurso. Ela requer uma história que persegue sua obra, e portanto, ela não é pensada como provisória.

Segunda ordem: A historicidade da presença
Esta representa a sua própria consistência. Move-se unicamente sob o signo de uma realidade, que ainda uma vez, se move na instauração de uma presença que plenifica a realidade e que se concretiza como presença na história, envolvendo a cultura no aspecto social, tanto de ontem como de hoje. Destarte, sustenta razões que se inserem profundamente no jogo da digna representação altamente diferenciada.

Terceira ordem: O tipo de relação que supõe o esquema da
representatividade
Que relação se indica entre o homem e Deus, enquanto se trata de representatividade? É preciso observar que a fé vive no regime de ausência. Entre Deus e o homem existe a separação. Há, portanto, uma assimetria que deve ser respeitada. Deus é Deus, enquanto o homem é homem. O homem não é Deus; e Deus não pode ser reduzido apenas a ser homem, pois quando se pensa em Deus, se pensa também em sua essência ilimitada. Assim, falar de representatividade é manter firmemente um regime de separação, e esboçar a experiência apenas sobre uma base de relação, especificamente. Essa distância se joga finalmente como condição de uma relação que é verdadeira. É uma representatividade que interpela a uma legítima responsabilidade.
Essa representatividade torna a vida humana plena em sua trajetória, e aponta para uma existência rica e com sentido na história. É a vida que foi justificada por Deus em Jesus Cristo que participa de uma nova configuração. Configuração de uma justificação gratuita, que o homem nada pode fazer para obtê-la. É uma justificação que tem ligação com uma história da salvação. Salvação que está inscrita mesmo na criação, concretizada por Deus, através de Jesus Cristo. Uma justificação que apresenta profundamente a temática da verdade acerca de Deus crucificado. Esse é o estado da nova criação, como manifestação da graça e do perdão de Deus.
A justificação que qualifica a vida plena é vista da seguinte maneira: como a vitória de Deus sobre o mundo; como implicação num combate e num julgamento; que mantém a manifestação do senhorio de Deus; que antecipa o dom escatológico pleno e total; que participa do estabelecimento da justiça de Deus sobre a terra. Destarte, se observa uma doutrina que se lança no coração de uma perspectiva global, aberta sobre o mundo e sobre a história. A justificação aparece, finalmente, como critério que permite se ler e tomar em consideração a nossa história.
Portanto, vida plena é vida que foi justificada por Deus em Jesus Cristo. É vida que participa, que representa Deus e não o substitui. É vida que se engaja na história com todas as suas peculiaridades. Assim, longe está de configurar-se como vida medíocre a pessoa que foi justificada pela ação dinâmica do Justificador, que é Deus em Jesus Cristo na força do seu Espírito.

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