sexta-feira, 19 de agosto de 2011

A saudável disciplina do perdão



Estudo cedido pelo estimado Prof. Dr. Nelson Célio de Mesquita Rocha
Doutor em Teologia , com área de concentração em Teologia Sistemático-Pastoral, pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro.
Rev. da Igreja Presbiteriana do Brasil - Igreja Presbiteriana de Botafogo
Acesse o blog: www.teologiaalter.blogspot.com

A SAUDÁVEL DISCIPLINA DO PERDÃO
Texto Bíblico: Mateus 18.21-35

INTRODUÇÃO
A data 11 de setembro de 2001, será sempre lembrada, com pesar, pelos norte-americanos, quando as Torres Gêmeas do World Trade Center foram literalmente destruídas pelo terrorismo internacional. Muitas pessoas perderam suas vidas, seus entes queridos sofrem até hoje com esse infortúnio. Em todo mundo foram e são passadas e repassadas as cenas catastróficas. Ficamos a pensar sobre a revolta do governo americano, e também no coração da nação... Será que há pelo menos uma gota de perdão? Não é difícil arriscar uma resposta, não obstante à resposta do governo, de mandar bombardear cidades importantes do Afeganistão, país situado no Oriente. E, até hoje, há uma busca de aliança do governo americano para executar seu plano de vingança contra seus inimigos. René Girard, em sua obra “La Violence est le sacré”, 1972, publicada em português “A Violência e o Sagrado”, pelas editoras UNESP e Paz e Terra, 1990, desenvolve o pensamento de uma tarefa muito complexa, sobre os temas da ordem, desordem, estabilidade e violência. Segundo Girard, os homens são governados por um mimetismo instintivo responsável pelo desencadeamento de “comportamentos de apropriação mimética” geradores de conflitos e rivalidades de tal ordem, que a violência seria um componente natural das sociedades humanas a ser incessantemente exorcizado pelo sacrifício de vítimas expiatórias. Há uma certa dose de violência dentro de cada pessoa. Todos querem a vingança. O perdão se torna algo quase impossível.

EXPLICAÇÃO
Encontramos no ensino de Jesus um item profundo da Ética do Reino de Deus: o Perdão. A regra judaica era a de se perdoar até três vezes. Na quarta vez não haveria nenhuma possibilidade de perdão. Pedro pensava que era o padrão possível; pensou que sua regra fosse extraordinariamente generosa. Mas, o Senhor ensina que não há limite para o perdão. O perdão é qualitativo e não quantitativo. O princípio do perdão deve funcionar a despeito da ausência de arrependimento. Talvez seja fácil perdoar se o ofensor se mostra arrependido. Joana D’Arc, heroína francesa, considerada herética e queimada viva pela “Santa Inquisição” em 30 de maio de 1421, enquanto lutou, o capelão inglês não se arrependeu; porém, quando ela perdoou e sofreu o martírio, ele se arrependeu (Cena No 06).Às vezes, quando magoamos as pessoas não sentimos tanto, mas aquele ou aquela que foi vítima, sente a dor da injustiça praticada. Humanamente falando, o ser humano é tão complicado em seus relacionamentos, que não consegue viver ou conviver muito tempo sem entrar em desentendimentos. O pecado torna o ser humano: egoísta, egocêntrico e melindroso. No ensino de Jesus, a vingança ilimitada do homem primitivo cede lugar ao perdão ilimitado dos cristãos. O perdão exerce bom efeito sobre aquele que perdoa e sobre aquele que é perdoado.

Três aspectos importantes que precisamos considerar sobre o Perdão:

1 – O PERDÃO É UM DOM DA IMENSURÁVEL MISERICÓRDIA DE DEUS
A) O senhor da parábola perdoou a dívida impagável do seu servo – Mt 18.23-27.
B) Deus, em seu infinito amor e misericórdia nos perdoou e nos perdoa sempre, apagando e esquecendo nossas imperfeições, nossos desvios e nossa ingratidão para com ele.
C) Para com Deus a nossa dívida é impagável, entretanto, quando o nosso irmão comete falha ou nos ofende, qual é a nossa reação?

2 – O PERDÃO DEVE SER EXERCITADO PORQUE FOMOS PERDOADOS
A) O que é mais difícil perdoar? Mentira, boato, bronca injusta, incompreensão da família, comparação com as pessoas da família, desconfiança de sua palavra, humilhação, gozação de colegas, esquecimento de algum favor que você pediu, indiferença...
B) Muitas vezes nos trancamos para as pessoas e as riscamos de nossa vida. Isso quando não planejamos secretamente uma “boa vingança”.
C) Muitas vezes fazemos com os outros, o que Deus não nos fez – Mt 18.28-30. Há pessoas que tratam outras com desumanidade. Deus ordena que sejamos humanos e não desumanos.
D) Para pensar: “Podemos continuar irreconciliáveis, se tentarmos calcular o nosso próprio débito?”

3 – O PERDÃO QUE DEVE SER EXERCITADO NÃO TEM LIMITE
A) Se aprendermos a pensar na vida e na obra de Jesus, pensamos em perdão.
B) Deus teve misericórdia de nós e espera que, da mesma forma como ele nos ama, amemos as pessoas que nos cercam e perdoemos os erros delas.
C) O perdão traz: paz, alegria, reconciliação.
D) Estamos sempre achando que o perdão tem limite. Perdoar sempre, é o ensino de Jesus. Deus perdoa todas as vezes que nós pecamos, anulando nossa dívida para com ele e continuando a amar-nos. O perdão de Deus é absoluto, completo, sem medida e sem limite.
E) Não há limite aprovado por Deus para o perdão que devemos dar aos outros, porque nada é comparável a nossa dívida para com ele, que perdoou.

CONCLUSÃO
• E agora? Vamos construir um mundo melhor através do perdão? Alguém está ferido? Coloque-se diante de Deus e estabeleça a reconciliação. Nada melhor do que uma consciência limpa e aprovada por Deus. O mundo não carece de mais violência, e sim da educação saudável que é a prática do Perdão.

• O perdão tem sua origem em Deus, pois o Senhor é misericordioso; o perdão deve ser exercitado porque Deus nos perdoou; o perdão que deve ser exercitado não tem limite. Se isto iniciar pela Igreja com a sua evangelização, teremos um mundo melhor. Que Deus nos ajude.

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