sexta-feira, 27 de março de 2009

ESTUDO SOBRE O TABERNÁCULO




ESTUDO ministrado no I Encontro de Educadores e Estudantes Cristãos - EEDEC

Cedido pelo nosso amigo e colaborador - Pb. Paulo Araújo de Oliveira
(Assembléia de Deus de Engenho Pequeno - São Gonçalo/RJ)
contatos: (21) 3710-1548 / 9749-2096





Introdução

Tenda, Tabernáculo, Tenda da Assinação, Tenda da Congregação, Tenda da Aliança (conserto), Beit-Miqdash, Mishkan, Lugar do Encontro (Ex 29.42), e alguns outros nomes são designados ao lugar que D’us disse para Moisés fazer a réplica aqui na Terra para lugar de adoração ao seu Nome (Ex 25.9,40; 26.30).
Por centenas de anos vêem-se tentando entender a estrutura de nosso culto a HaShem (palavra hebraica que é usada por nós judeus para se referir a D’us sem ser necessário dizer seu nome; literalmente quer dizer “O NOME”); porém não haverá uma compreensão se não tivermos uma visão mais pormenorizada do todo. Não podemos entender as profundezas do que HaShem nos legou como forma de adoração se não conhecermos os objetos, local e simbolismo de cada peça e ação do culto prestado. A exemplo disto temos algo muito significativo que todos hoje conhecemos muito bem que é o sacrifício que era oferecido ao Eterno para cobrir os pecados, a este ofertório temos o entendimento que simbolicamente representava aquele que havia de vir com um sacrifício perfeito (Dn 9.24), a saber Yeshúach ben Yosef HaNatzari.
Mas não é só isso; o culto na Tenda tem outras particularidades e outros objetos que dizem muito para nós e é isso que veremos neste simplório trabalho.
Esteja em oração e com a mente bem equilibrada para não tirar conclusões precipitadas, observe bem cada palavra e frase depois verifique com sua Bíblia e veja se há concordância, então daí poderemos ter base e certeza para afirmar alguma coisa.



BaMashiach Kadosh Baruch Hú,




Uma festa no Deserto. Ex 5.1
O D’us de Avraham, Ytschaq e Yisrael ouviu o clamor do Seu povo e resolve tirá-los de vez por todas da escravidão de Mitzráim (Egito), e agora Moshé Rabênu (Moisés nosso mestre) está diante de Faraó entregando o recado de D’us a este que não conheceu José filho de Jacó. De coração endurecido Faraó não permite que o povo se vá, pois os rumores de que este estava amolecendo com os escravos já estavam grandes, porém D’us não é alguém que pede favores; para que Faraó venha conhecê-lo (Ex 5.2), D’us faz dez grandes sinais e um mais do que extraordinário, que foi a célebre travessia do Mar Vermelho a pés enxutos pelo povo de Yisrael. Porém quando Moshé vai falar com Faraó ele diz que o povo vai celebrar uma festa no deserto e é aqui que começa uma história linda de um povo que adora a D’us, e no deserto D’us lhes dá todas as leis de como prestar essa adoração de modo que seja aceita e como é importante a simbologia desse culto.


O modelo para a Tenda. Ex 26.30
Antes de entendermos as simbologias do culto no Tabernáculo e seus utensílios devemos ter em mente que, tudo que foi feito por Moshé e o povo no deserto veio de um modelo superior. Não foi causado pela imaginação de Moshé e nem de Aharom, porém foi o próprio D’us que mostrou a Moshé como e o que fazer. Curiosamente depois, esta cópia do modelo visto por Moshé dá origem a dois Templos {o que Shelomô Mélech (Salomão) fez e foi destruído, e o que Ezra (Esdras) fez em reconstrução ao de Shelomô}, e no futuro da era messiânica este Templo que tem por base o mesmo modelo que foi visto por Moshé terá seu local e destaque certos (Ez 40- 47). Isso me conforta muito, pois aquilo que D’us instituiu por perpétuo será perpétuo, aquilo que D’us não instituiu por perpétuo não será perpétuo. Quero dizer com isso que, muitos dos inimigos do Tabernáculo e seus utensílios e simbolismo terão de conviver com a realidade de que há uma importância real e atual para o estudo, interpretação, análise e respeito ao primeiro local de culto-coletivo ao D’us do Céu. Baruch HaShem, HaleluYá!!!!


D’us dá o Molde. Ex 25.1-9
· O Pátio para o Serviço: Ex 27.9-19
· A Pia de Cobre para Purificação: Ex 30.17-21; 38.8.
· As Cortinas do Tabernáculo: Ex 26.1-14; 36.8-18,19.
· As Tábuas para o Tabernáculo: Ex 26.15-30; 36.20-34.
· O Altar do Holocausto: Ex 27.1-8; 38.1-7.
· A Mesa para os Pães Da Proposição: Ex 25.23-30; 37.10-16.
· A Menorá ou Candelabro: Ex 25.31-40; 37.17-24.
· O Véu e as Colunas para o Lugar Santo / Santíssimo: Ex 26.31-37; 36.35-38.
· O Altar do Incenso: Ex 30.1-10; 37.25-28.
· A arca de Madeira ou Aron Hacódesh (Arca Sagrada): Ex 25.10-16; 37.1-5.
· O propiciatório de Ouro para a Arca: Ex 25.17-22; 37.6-9.

Um Tabernáculo Físico e um Tabernáculo no Tempo. (Shabat – Gn 2.2 cf. Ex 20.8, 10,11; 31.12-18; 35.1-29)
Quando D’us ordenou a Moisés sobre a construção do Mishkan, fez uma introdução dizendo que mesmo sendo o Mishkan de suma importância – o local onde a presença divina permaneceria concentrada constantemente – sua construção seria proibida no Shabat e, por conseguinte, deveria ser interrompida na véspera.
Toda obra do Mishkan foi realizada por intermédio de 39 tipos diferentes de trabalhos (labores), sendo que o Criador proibiu a realização destes mesmos trabalhos no Shabat. Isto nos deu a dimensão exata do que é permitido ou não fazer no Shabat.
O que é mais relevante nisto tudo é que, Yisrael estava fazendo a obra máxima de sua inicial existência como nação, porém mesmo esta obra não podia adentrar e ferir a santidade do Shabat.
Não venho aqui fazer uma apologia ao Shabat, mas venho com afinco mostrar que existem coisas que D’us estabeleceu que nunca serão mudadas.
O que D’us esta querendo mostrar aqui é que estes homens e mulheres estavam ocupados com a obra de D’us, mas não deveriam negligenciar a obra com D’us, isto é, quando trabalhavam no Tabernáculo estavam fazendo o que D’us mandou que fizessem no espaço, porém quando faziam o Shabat, estavam fazendo um Tabernáculo no Tempo (dias e horas) e com isso lembrando as suas almas de que D’us estava com eles e era esse D’us, O D’us do Shabat, que iria habitar no Tabernáculo.
Com esse ensinamento entendemos que D’us é um D’us transcendente, que não está ligado somente a coisas materiais e sim está também envolvido com o imaterial.
· Tabernáculo à Material;
· Shabat à Espiritual.
Devemos entender essas máximas para não perdermos o foco de que o que vivemos aqui é uma sombra dos bens futuros, e existe algo além e ais precioso no porvir conforme o projeto de D’us.


Uma Visão Geral. (Ex 26)
O Tabernáculo era composto de modo geral em seu espaço de:
· Átrio (Pátio) à com o Altar e a Pia de Bronze;
· Lugar Santo à com a Menorá, Mesa dos Pães e Altar do Incenso;
· Santo dos Santos à com a Arca da Aliança.

O serviço na Tenda da Congregação era dividido da seguinte forma:
· Abaiê - “descreveu-se em nome da Gemará e de acordo com a opinião de Aba Shaul, a ordem do serviço no Templo (ou serviço religioso). A grande ordem de lenha para queimar os órgãos que restava das oferendas, precedia a segunda ordem para queimar o incenso; a segunda ordem para o incenso precedia a disposição das duas peças de madeira para queimar no Altar; a disposição das duas peças de madeira precedia a remoção das cinzas do Altar interior (de Incensos); a remoção das cinzas do Altar interior precedia ao preparo das cinco Lâmpadas (da Menorá); o preparo das cinco Lâmpadas precedia a aspersão do sangue do Sacrifício Contínuo; a aspersão do sangue do Sacrifício Contínuo precedia ao preparo das duas Lâmpadas restantes; o preparo das duas Lâmpadas restantes precedia à queima do incenso; e a queima do incenso precedia a oferta dos órgãos do sacrifício; a oferta dos órgãos do sacrifício precedia a oferta de oblação; a oferta de oblação precedia a oferta de oblação feita na frigideira; esta oferta precedia as ofertas das libações; a oferta das libações precedia a oferta dos sacrifícios adicionais; a oferta dos adicionais precedia aos dois cálices de incenso; os dois cálices de incenso precediam a oferta contínua da tarde, conforme está dito: ‘E sobre ela porá em ordem o Holocausto e sobre ela queimará os sebos da oferta de Paz’. Com isso acham-se completadas todas as ofertas do dia.” (Sidur completo, Rab Jairo Fridlin; pg. 36).

Com isso entendemos que o dia era bem agitado no Tabernáculo e que não havia tempo para ociosidade. Em suma; a obra de D’us exige esforço e trabalho e para tal todo o nosso tempo sempre será poço para D’us.
Todos os espaços e utensílios do Tabernáculo foram feitos para serem utilizados e isso também é alusivo a nós, pois no nosso tabernáculo de carne e osso não existe espaços que não sejam usados pelo D’us Eterno.


A Porta de Entrada. (Ex 27.16)
Essas foram as cores usadas na porta de entrada do Tabernáculo, além de chamarem a atenção até de longe, elas enalteciam e elucidava m a importância do lugar.
Eram cores chamativas para qualquer lugar ou ocasião, vale à pena lembrar que os povos do oriente sempre gostaram muito de cores estas invadiram e influenciaram a realeza de várias épocas.
Um exemplo claro de como as cores nessa época eram influenciadoras e caracterizavam algo especial veja o exemplo de Jacó e José, quando o primeiro dá uma túnica de muitas cores ao outro e a reação dos irmãos não é das melhores. (Gn 37.3)

O interessante é que D’us faz questão de dizer que a porta deve ser diferente apesar de todo o Tabernáculo em volta ser de linho e pilares. Ele podia poupar trabalho e dizer a Moshé que fizesse a porta como o restante, mas não, Ele faz questão de nos ensinar que “A Porta” é diferente do demais, pois tem maior importância; é na porta que se entra e se sai, é a porta que tem essa prerrogativa não as paredes, se tudo fosse igual fatalmente encontraríamos alguém entrando pelo lugar errado e teria como se justificar dizendo: - pensei que era a porta!! – mas não, para que não houvesse erros D’us disse faça a porta diferente.

Quem disse que todos os caminhos levam a D’us?
Lembre-se existe “A Porta”. (Jo 10.9)


As Paredes do Pátio. (Ex 27.9-19)
A cerca do pátio do Tabernáculo era retangular e media 100 cúbitos de comprimento. Na Bíblia, um cúbito era o mesmo que o comprimento que vai do cotovelo até a ponta do dedo, mais ou menos 45 cm (1 pé e meio) na medida de hoje. Como tal, que a cerca do pátio do Tabernáculo media 100 cúbitos de comprimento significa que era mais ou menos 45 m(150 pés), e sua largura era 50 cúbitos que significa que era aproximadamente 22.5 m (75 pés) de largura.
Alguém um dia me perguntou: “por que o Tabernáculo era cercado desta maneira”? - Ao que eu respondi- “este era um local de culto, portanto um lugar sagrado e não o passeio público”.
Precisamos ter novamente despertada esta consciência, de que as coisas de D’us são sagradas e não profanas ou de brinquedo. Eu não compro Bíblias na seção de eletro domésticos, eu compro em lugares especiais onde se vende coisas especiais. Nunca entendi e não pretendo entender essa terminologia de “AMIGOS DO EVANGELHO”; o evangelho não precisa de amigos e sim de testemunhas. O Templo de adoração não precisa de espectadores e sim de adoradores. Não quero ser o dono da verdade, mas a certeza que tenho e que aprendi com meus mestres é essa- COMPROMISSO. O homem ou a mulher que deseja servir a D’us deve ter compromisso com Ele e daí receberá o seu favor, porém o restante que nada quer sofrerá sua ira sobre suas próprias máscaras.
Quando D’us disse faça o pátio e ponha uma parede de cobertas, Ele estava querendo dizer: “Culto é pra quem quer. É pra quem está interessado, e quem está interessado vem pra dentro não se conforma em ser chamado de amiguinho, mas veste a camisa e se COMPROMETE.”
Quando Jesus disse que “Ele é a porta e quem entrar por Ele, entrará e sairá e achará pastagens” eu O imagino se referindo a um pasto particular, onde há porta e quem não entra não tem direto de participar.
Venha não fique de fora entre hoje!

O Altar dos Sacrifícios. (Ex 27.1-8)
O local mais significativo ou pelo menos um dos mais significativos, principalmente para a Igreja, é o Altar de sacrifícios.
Neste lugar era oferecido o sacrifício do povo para diversos fins.

Exemplo, Ofertas:

· Queimadas, Ex 29.18;
· Voluntárias, Nm 15.3;
· De Elevação, Lv 7.14, etc...

O Altar de sacrifícios era peça fundamental e porque não dizer primordial no serviço religioso exigido por D’us. Era também (talvez por sua importância) o primeiro utensílio a ser visto por qualquer um que entrasse no pátio.
Lindo saber que D’us nos exige coisas e posturas, mas também nos dá condições de cumprir essas exigências; você já pensou se o Tabernáculo começasse pelo Santíssimo? Como seria difícil para nós nos aproximarmos de D’us e até mesmo cumprirmos sua vontade? Teríamos de ser perfeitos como uma criança inocente para nos achegarmos ao Mishkan e daí então passarmos por tudo o mais até chegar ao Altar. Porém D’us nos deu condições de fazer a sua vontade nos dando em primeiro lugar o Altar. Por que muitos desprezam o Altar? Por que tanta gente se acha melhor que o Altar? O rabi de Nazaré um dia disse que não é a Oferta que santifica o Altar e sim o “Altar que santifica a Oferta” (Mt 23.19 cf. Ex.29.37).
Isto nos faz uma alusão a uma particularidade nas ofertas, todas vinham de fora. Todo carneiro, cabrito, pomba ou cereal vinha de fora do Tabernáculo (que representava a presença de D’us em máxima instância), e isto nos parece dizer que por mais que o homem se esforçasse sua oferta sempre seria algo de fora da presença de D’us, ou em outras palavras, algo que esteve todo o tempo perto do homem e produzido e criado por ele. Haveria a necessidade de algo que viesse de dentro para satisfazer a exigência máxima de D’us. (Gn 3.15)
Alguém pode objetar e dizer que o homem precisava pagar o preço e oferecer algo a D’us, pois como disse David Mélech não devemos oferecer o que nada nos custou (2Sm 24.24). Porém em contra partida os B’nei Corach já tinham uma resposta pronta para esse problema assim como o próprio David Mélech, no Salmo 49.7,8, os B’nei Corach nos dizem que o valor de uma alma é caríssimo e os recursos do homem se esgotam antes de chegar ao valor determinado; o Salmista-Rei-Pastor nos dá também uma lição que não podemos esquecer nunca, no Salmo 51 ele pede a D’us que o limpe, ele não diz: - já ofereci mil bois e trinta mil cordeiros, não, ele diz: - me limpa e ficarei limpo. Isso nos diz que um sacrifício perfeito tem de vir de um lugar perfeito; foi isso que Jesus fez, Ele não veio de Fora para Dentro, não, Ele morreu fora, mas veio de dentro pra fora. Por isso é, que o Sacrifício de Jesus satisfaz e também limpa, não cobre, mas limpa, ao passo que os outros são um meio de protelar a dívida e ganhar tempo para o devedor, o sacrifício feito por Jesus quita toda a dívida. (Hb 7.27; Hb 9.9-14; cf. Jo 3.13)


Pia de Bronze. (Ex 30.17-21)
A Pia ou Lavatório era um utensílio de suma importância e acabou introduzindo um costume comum e imprescindível no lar de todo judeu religioso até o dia de hoje: o costume de lavar as mãos.
Acordamos pela manhã lavamos as mãos e dizemos: “Baruch ata Adonay Elohênu Mélech HaOlam, Asher Kideshánu Bemitsvotáv, Vetsivánu al Netilat Iadáyim.” – “Bendito és Tu Eterno, nosso D’us, Rei do Universo, que nos santificaste com Teus mandamentos e nos ordenaste lavar as mãos.”
Isto era dito todas as vezes que um Cohen terminava de lavar as mãos na pia para oficiar outro serviço. Nós devemos carregar esse exemplo conosco; não é só o fato de lavarmos as mãos que nos faz limpos, e sim o fato de não misturarmos as coisas. O Cohen sempre que acabava de fazer algum serviço lavava as mãos e então fazia outro serviço (sacrifício), devemos terminar o que começamos e começar livres de embaraço qualquer outro negócio. Quantos começam relacionamentos com feridas não tratadas de outros relacionamentos e isso vale pra tudo na nossa vida. (Jo 11)
Vale à pena lembrar que esta PIA ou LAVATÓRIO de BRONZE ficava no deserto e por mais que a nuvem protegesse os Hebreus o ar do deserto em si já era quente o suficiente para aquecer o metal bronze, aja vista que o bronze é um ótimo condutor de calor e isso nos remete a temperatura desta água que, em muitos casos atingia o ponto de fervura como nos diz os sábios.
Eu creio que assim ocorria, pois o sangue que ficava nas mãos e entre os dedos não sairia fácil com a água em condições naturais, daí entendemos que, toda a purificação e limpeza têm seu sacrifício. (Mt 3.11-12; Lc 3.16)
Esta purificação, também era para os Cohanim que iriam entrar no lugar Santo não podiam entrar sem que estivessem Limpos Ritualmente, por isso antes de adentrarem ao lugar Santo eles se lavavam e daí estariam aptos para oficiar na Tenda. Por isso devemos ter em mente que para trabalhar na obra de D’us só se estiver limpo. (1Pe 1.13-16; cf. Lv 19.2)


As Cobertas do Mishkan. (Ex 26.1-14)
As cobertas do Mishkan eram em número de quatro:
· Uma logo acima das tábuas com ornamentos,
· Uma de pêlos de cabras,
· Uma de peles de carneiro tintas de vermelho,
· Uma de peles de texugo.

Tanto já se disse sobre estas cobertas que aqui vamos nos ater a simplesmente dizer que, o fato de as cobertas serem mais belas de dentro para fora nos dá a entender que o que temos de mais precioso está dentro de nós (sem menosprezar a importância do corpo) e por isso devemos guardar o nosso “coração, pois d’ele procedem às saídas da vida”. (Pv 4.23)


O Lugar Santo. (Ex 40.4-5)
O Tabernáculo media 13.5 m (45 pés) de comprimento e 4.5 m (15 pés) de largura, e era dividido em dois espaços chamados Santo Lugar e Santo dos Santos. Dentro do Santo Lugar, existiam um candelabro, a mesa de pão, e o altar de incenso, enquanto dentro do Santo dos Santos, a Arca do Testemunho e o propiciatório foram colocados.
Composto do Santo Lugar e o Santo dos Santos, o Tabernáculo era cercado de todos os lados por tábuas de madeira de acácia que media mais ou menos 70 cm (2.3 pés) em largura e 4.5 m (15 pés) de altura. E na entrada do Tabernáculo, havia cinco colunas de madeira de acácia revestidas com ouro. A própria entrada, pela qual entrava no pátio exterior do Tabernáculo, era feito de uma tela tecida de fios azul, púrpura, e escarlate e tecido de linho finíssimo.
Em Especial o Lugar Santo era o lugar de culto quase constante (vide ordem do serviço acima), ali estavam a mesa dos pães, a Menorá, o Altar de Incensos e O Véu.
Como sabemos cada um desses utensílios tem sua importância e não falar sobre os mesmos não valeria o tempo que estamos estudando, porém falaremos de maneira simples sobre cada um dos materiais.
· A Mesa dos Pães (Ex 25.23-30):
Nesta Mesa estavam os “Pães da Presença” que estavam constantemente diante do Senhor no e eram movidos em ocasiões especiais na Presença da Shechiná.
É interessante notar que, o maná veio de D’us para o homem e o pão vem do homem para D’us. Apesar disso o homem se alimenta de todos os dois, o maná (porção), e o pão, ambos fazem bem ao homem.

Isto nos fala muito, pois o maná D’us deu para o homem não morrer de fome no deserto e o pão D’us nos permitiu fazer para nos sustentarmos na vida em si.
Assim como o próprio Jesus nos diz que Ele é o Pão vivo que desceu do Céu, Ele também diz que comamos a sua carne e bebamos o seu Sangue para termos vida em “si mesmo”.
Ao pensarmos nisso vale a pena fazermos um questionamento: “Que vida, é vida de verdade?” ou “Que vida vale a pena ser vivida?” – os “Pães da Presença” nos respondem: “Uma vida na Presença de D’us; desfrutando o seu mover ou sendo movido por e para Ele.” – essa realmente é uma “vida em si”, pois viver pra si não é muito bom já diz o velho provérbio judaico: “Se eu não for por mim, quem será por mim? Se eu for SÓ por mim, quem sou eu? Se não for agora, quando?” precisamos ter em mente que Jesus é tanto o pão Vivo que desceu do céu, como o pão Ofertado a D’us que nos dá alimento até a consumação dos séculos, pois diz o discípulo “bem aventurado o que comer pão no Reino dos Céus”. (Lc 14.15; cf. Ap 19.9)

A Menorá (Ex 25.31-40):
Era feito de uma só peça; tinha sete braços e por base uma espécie de caixinha de três pés. As instruções para fazer a Menorá eram tão difíceis, que o próprio Moisés não compreendia como fazê-lo, até que D’us mostro-lhe o modelo (25.40). A Tradição proíbe fazer uma Menorá de sete braços segundo esta descrição da Torá (Lei). O Zohar (livro mestre da mística Judaica) disse que a Menorá simboliza a Árvore da vida, e os seus sete braços as sete palavras que compõem o primeiro versículo de Gênesis. (7 pleno)

Misticismo à parte nós como crentes em Jesus entendemos que esta peça nos remete à Palavra de D’us e a sua expressão máxima que é Jesus o Verbo de D’us. (Sl 119.105 cf. Jo 1.9)
Esta era a verdadeira finalidade da Menorá, iluminar o Lugar Santo para os Cohanim enxergarem enquanto trabalhavam. Quem disse que tudo pra D’us deve ser feito às cegas estava pensando que?

O Altar dos incensos (Ex 30.1-10)
Havia um Altar feito de madeira de acácia e coberto de ouro que se chamava Mizbach Hazaav, ou Mizbach Haketóret, e que servia para queimar sobre ele o incenso. Este era o altar que, conforme sabemos têm tudo a ver com as nossas orações (Sl 141.2).
Só havia uma particularidade neste altar; é que uma vez no ano o Cohen Gadol (Sumo-Sacerdote) fazia expiação de sangue n’ele também. (Ex 30.10)
Isto é pra nos causar um grande temor, pois nem mesmo no momento de oração estamos isentos de deslizes pecaminosos e por isso devemos sempre depender do Sangue.


O Santo dos Santos. (Ex 40.20-21)
O Santíssimo lugar era o mais interior do Mishkan, era ali que estava a Arca da Aliança ou o Aron Ha Kodesh. Neste lugar sagrado o Cohen Gadol só podia entrar uma vez no ano e fazer expiação pelo povo e per si (Lv 16.2). Ali era um luar escuro e não se sabe como, havia sempre brasa acesas sobre o propiciatório da Arca. (IRs 8.12)
No Santíssimo não havia iluminação nem artificial o que havia era (quando era tempo) o brilho da presença de D’us, sem ser desfocada pelo brilho de nada ou ninguém.
Como isso me emociona, pois hoje são tantos a brilhar que muitos já não querem ou não conseguem ver o real brilho do Eterno; não que o Eterno (Ele mesmo nos livre de pensar assim) tenha se apagado, nada disso, o que acontece é que quando disputo com D’us eu peco e o pecado faz um muro que me separa de D’us e daí eu não O vejo mais.
(Is 59)
Nós devemos estar diante de D’us como no Santíssimo:
· Nunca Sem Motivo Verdadeiro,
· Nunca Sem Temor,
· Nunca Por Orgulho,
· Nunca Por Obrigação,
· Nunca Por Curiosidade,
· Nunca Por Almejar Mais Brilho Que Ele.

A Arca da Aliança. (Ex 25.10)
A Arca do Testemunho media 113 cm (3.7 pés) em seu comprimento, 68 cm (2.2 pés) em sua largura, e 68 cm (2.2 pés) em sua altura, era feita de madeira de acácia e revestida com ouro puro. Dentro desta Arca, existiam duas tábuas de pedra gravadas com os Dez Mandamentos de Deus e um pote de ouro com maná, e a vara brotada de Arão.
Esta era a expressão máxima da santidade do Mishkan, o Aron HaKodesh. Nesta arca a Nuvem da Shechiná de D’us se manifestava. Era sobre o propiciatório que o Cohen Gadol fazia expiação por ele e o povo no Yom Hakipur, pedindo à HaShem que perdoasse os pecados e também zerasse os votos não cumpridos no ano anterior.
É importante notar que nós temos dois primeiro meses no nosso calendário (judaico), o mês civil tem Tishrê como primeiro mês e o calendário religioso tem Nissan como seu princípio. O que nos chama a atenção é que por Tradição desde Moisés até hoje o Yom Hakipur não é realizado no primeiro mês religioso e sim no primeiro mês civil, apesar de Yom Hakipur ser um serviço estritamente religioso. Isso vem nos lembrar que apesar de sermos seres que possuem uma aspiração muito grande para o reino espiritual e d’ele dependemos, devemos lembrar que a vida do ser humano também depende do que se passa no reino material. Não devemos espiritualizar o material e nem materializar o espiritual; o que precisamos é equilibrar as coisas em todos os aspectos. Daí ser o Yom Hakipur representado por uma Balança, querendo nos dizer não só que D’us pesa os nossos atos as que também precisa haver doses equilibradas em nossa vida.
A Arca não está só nos dizendo que devemos ser santos e equilibrados, mas também está remetendo ao nosso personagem central deste estudo, Jesus. Por quê? Já lhe digo.
Jesus, assim como a Arca concentra em si o necessário para seu povo; a Arca era de madeira, porém revestida de ouro por dentro e por fora; assim Jesus que d’ele é dito “pouco menor que anjos fizeste, mas de glória e honra o coroaste” (Hb 2.4-7); a Arca ficava em lugar privilegiado e inatingível por todos, Jesus esteve e está mais uma vez junto ao Pai; na Arca continham a vara de Arão que floresceu, o maná, as Tábuas com Torá e ao lado uma cópia com toda a Torá (Dt 31.25,26; Ex 25.21; Nm 17.10-13; Hb 9.4); em Jesus temos, não uma vara somente mas certeza de um futuro glorioso, não temos só um maná e sim a vida eterna (Jo 6.49; 17.1-3), não temos tábuas de pedra nem uma cópia da Torá, mas temos a “Torá do Espírito e da vida que nos livrou da lei do pecado e da morte”. (Rm 8.2)
Tenhamos em nossas mentes como é importante sermos fiéis e sinceros com nosso D’us e com nossa comunidade, pois ser servo de D’us não é pertencer a um clube; e nossos símbolos nos remetem ao serviço sincero ao nosso D’us, não são só um aglomerado de coisas bonitas pra nós filosofarmos em um dia de inspiração, e sim, são símbolos sérios que são dignos de estudo apreciação e aprendizado, para sermos crentes melhores.


O Cohen Gadol. (Ex 39.1)
Não deveríamos falar de Cohen Gadol junto destes tópicos visto que o assunto é extenso demais para ser tratado aqui. Porém tentaremos tratá-lo de maneira simples como já temos feito com os demais tópicos.
As vestes do Cohen Gadol não eram vestes simples e nem mesmo podiam ser usadas em qualquer ocasião.
A Bíblia na Nova Tradução na Linguagem de Hoje, cita Êxodo 28.2-5:
“Para o seu irmão Arão, faça vestes sagradas que lhe confiram dignidade e honra...”
Aqui D’us está dizendo a Moisés que as vestes seriam “Kavod” e “Tif’éret” em outras palavras; Gloriosa e Resplandecente.
Não havia roupas como aquelas do Cohen Gadol, em que havia “Kavod” (Glória) e “Tif’éret” (Esplendor); isso nos remete ao nosso mashiach Jesus que quando transfigurou-se e mostrou parte da sua majestade diz-nos o escritor: “E transfigurou-se diante deles; e o seu rosto resplandeceu como o sol, e os seus vestidos se tornaram brancos como a luz.”(Mt 17.2)
“ E, no meio dos sete castiçais, um semelhante ao Filho do homem, vestido até aos pés de um vestido comprido, e cingido pelos peitos com um cinto de ouro. E a sua cabeça e cabelos eram brancos, como lã branca, como a neve, e os seus olhos como chama de fogo; e os seus pés, semelhantes a latão reluzente, como se tivessem sido refinados numa fornalha, e a sua voz como a voz de muitas águas; e ele tinha na sua destra sete estrelas; e da sua boca saía uma aguda espada de dois fios; e o seu rosto era como o sol, quando na sua força resplandece.” (Ap 1.13-16)
As vestes do Cohen Gadol eram em número de oito; a saber:
· Tiara (Mitsnéfet)
· Lâmina (Tsits)
· Peitoral (Chóshen)
· Túnica (Cutónet)
· Cinto (Avnet)
· Efod
· Manto (Meil)
· Calças (Michnassáyim)



Ainda Havia:
· Campainhas e Romãs (Paamonim vê Rimonim)
(na borda do manto)
· Cadeia Trançada (Sharsheret)

No Peitoral haviam 12 pedras que representavam as 12 tribos de Yisrael e estavam mais ou menos assim dispostas:
Baréket (esmeralda)
Levy
Pitdá (topázio)
Shimon
Odem (rubi)
Reuven
Iahalom (diamante)
Zevulum
Sapir (safira)
Yissachar
Nófech (carbúnculo)
Iehudá
Achláma (ametista)
Gad
Shebó (ágata)
Naftali
Léshem (opala)
Dan
Iashfe (jaspe)
Biniamin
Shoham (ônix)
Iossef
Tarshish (crisólita)
Asher

Com estes paramentos o Cohen estava pronto para servir ao Eterno no Tabernáculo.
Era imprescindível que o Cohen fosse levita e da família de Aharon, todo Cohen era levita, mas nem todo levita era Cohen.
Para ser consagrado a Cohen (sacerdote oficiante) era necessário um cerimonial que tinha como ponto chave a unção com o óleo, sem unção nada feito.
É uma pena notarmos que hoje em dia as pessoas não valorizam mais a unção de D’us, acham que o ministério pode ser comprado, barganhado, passado de pai pra filho ou disputado como nas câmaras de vereadores e assim por diante. Lembremo-nos que para oficiar no Reino de D’us não é porque eu tenho ou quero e sim, quando Ele chama e quer. Estão se esquecendo que a vontade de D’us deve e será sempre soberana. Daí temos vários sistemas de administração eclesiástica falidos e injustos, tudo isso porque o que tem sido buscado não é a vontade de D’us e sim a nossa vontade. No Mishkan não até a roupa do Cohen foi Ele que deu o molde.


Conclusão.
Não Devemos nunca esquecer que os símbolos são símbolos, porém sempre teremos lições a aprender com os símbolos que D’us nos deu.
O Mishkan foi uma construção terrena, mas o molde foi Divino; podemos ouvir o eco da voz do Eterno dizendo: “... faze conforme o Modelo que vistes...”
Que possamos guardar e aplicar o que D’us pacientemente tem nos ensinado, Shalom!

Um comentário:

  1. Espetacular esse estudo...dariam semanas e semanas de estudo profundo e não esgotaríamos...
    Que Deus os abençoe! Pb. Djalma Brito

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Graça e Paz de Cristo!
É muito bom e importante ter você comentando minha postagem.
Deixe seu contato de e-mail para que eu possa te responder e agradecer.
Que Deus continue te abençoando!
Fraternalmente,
Vladimir Calisto

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